Um estudo recente do Sebrae sobre os Hábitos Financeiros dos Pequenos Negócios revela um dado que preocupa o ecossistema empreendedor: cerca de seis em cada 10 donos de pequenos negócios continuam utilizando sua conta bancária pessoal para pagar despesas da empresa. Essa prática reflete um controle financeiro ainda informal e pouco estruturado entre muitos empreendedores no Brasil.
Entre 2023 e 2025, o percentual se manteve praticamente estável, passando de 60% para 61% — indicando que, apesar de existirem mais ferramentas financeiras disponíveis, a separação entre finanças pessoais e empresariais ainda é um grande desafio para muitos donos de pequenos negócios.
Para o consultor e mentor de negócios Israel Rodrigues, especialista em gestão financeira para pequenas e médias empresas, esse comportamento está diretamente ligado à falta de planejamento e organização desde o início da jornada do empreendedor. Segundo Israel, “misturar as finanças pessoais com as da empresa pode parecer uma saída prática no dia a dia, mas acaba dificultando a análise de resultados, prejudicando decisões estratégicas e até complicando questões tributárias e de fluxo de caixa no longo prazo”.
Perfil do hábito financeiro
O uso da conta pessoal para pagar despesas empresariais é mais comum em empresas de menor porte, sugerindo que à medida que o negócio cresce e se formaliza, essa prática diminui. Setores como construção civil e indústria lideram entre os que mais misturam finanças pessoais e empresariais, seguidos por serviços e comércio.
Geograficamente, o Nordeste e o Norte apresentam os maiores índices desse comportamento, enquanto o Sul e estados como Minas Gerais, Santa Catarina e Paraná são menos propensos a essa prática.
A pesquisa também mostra que muitos empreendedores não adotam métodos eficazes de controle financeiro:
30% usam planilhas no computador
25% fazem anotações em cadernos
20% utilizam aplicativos ou sistemas digitais
13% deixam o contador cuidar disso
10% afirmam não ter qualquer forma de controle
3% não souberam ou não responderam
Israel Rodrigues destaca que “a implementação de controles simples, como o uso de ferramentas digitais e a separação de contas desde o início, pode transformar a saúde financeira da empresa e evitar problemas futuros com fluxo de caixa e declarações fiscais”.